Análise das máximas conversacionais na série Friends (Saulo Henrique).

Olá novamente, pessoas maravilhosas 😁. Estamos de volta para mais algumas postagens especiais para vocês. Esperamos que gostem do que está por vir.


Primeiramente, vocês já ouviram falar de máximas conversacionais? 🤔

As máximas conversacionais foram criadas pelo filosofo H. P. Grice ao estabelecer  que o principio geral da comunicação é a cooperação. O principio da cooperação basicamente tem como base: dizer o que precisa ser dito, no momento certo, de acordo com o objetivo comum e imediato, e que cumpra com os objetivos estabelecidos na comunicação

Baseando-se nesse principio geral, criou-se então 04 categorias que contribuem para a eficiência de uma conversa, ou então chamadas, máximas conversacionais: 

1) A máxima da quantidadeque diz respeito a ser informativo no que diz (Não dizer nada mais nem menos do que requisitado); 

2) A máxima da qualidade, que diz respeito a ser verdadeiro no que diz (Dizer o que pensa ser verdade e tenha como provar); 

3) A máxima da relaçãoque diz respeito a ser relevante no que diz (Dizer algo que seja útil a aquela conversa);

4) A máxima do modoque diz respeito a ser claro no que diz (Ser breve, sem ambiguidades).


Agora, vamos ver um exemplo de como podemos análisar um dialogo observando essas máximas conversacionais. É importante ressaltar que essas máximas são muitas vezes violadas numa conversação para ocasionar algum efeito no interlocutor. 

A análise feita será de um dialogo da sitcom "Friends", que se trata de uma comédia situacional à respeito do cotidiano de 6 amigos vivendo em Nova York. A cena a seguir foi retirada do episódio 04 da nona temporada da série. Na cena, dois dos protagonistas, Ross e Phoebe, estão conversando em uma cafeteria sobre a Phoebe ir em um encontro com outro personagem chamado Mark, que ela gosta muito. Entretanto, Ross começa a relembrar  de forma inocente sobre todas os relacionamentos anteriores de Phoebe, que acabaram indo mal, fazendo com que ela começasse a chorar ao perceber que nunca teve um relacionamento duradouro antes, e achando que com Mark vai dar errado também. No final da cena, depois de chorar muito ao perceber que seus relacionamentos foram todos fracassados, mas ainda querendo sair com Mark, o seguinte dialogo ocorre...



   
Ao ser questionado por Phoebe, Ross viola a máxima de quantidade e de relação/relevância ao não responder de forma direta ao que foi perguntado, que era simplesmente uma pergunta de sim ou não, e ao contorna o assunto tratado com outra pergunta. Phoebe, por outro lado, ao ser questionada atende a máxima de quantidade, relevância, modo e qualidade ao apenas responder de forma direta e verdadeira a pergunta feita por Ross. Ross também viola a máxima de qualidade ao não ser verdadeiro com Phoebe sobre sua aparência, uma vez que ele não teria perguntado se ela tem pó compacto na bolsa, se ele achasse que ela estava linda desde o principio. O humor da cena ocorre pelas quebras das máximas de quantidade, relação e principalmente qualidade de Ross, ao mentir para Phoebe sobre sua aparência. Outro pronto que é importante levantar é que a situação conversacional mostrada ocorre de maneira natural no cotidiano das pessoas, com isso também ocorre a identificação com a situação mostrada. Afinal, quem nunca passou por uma situação que foi questionado a aparência de algum amigo e não queria fazer magoar o mesmo?

Isso é tudo por hoje, pessoal!!!



REFERÊNCIAS:

AQUELE com os Tubarões. In: Friends. Criação de David Crane e Marta Kauffman. Direção de Ben Weiss. Estados Unidos: NBC, 2002. 23 min. Temporada 09, episódio 04. Série exibida pela HBO Max. Acesso em: 26 out. 2021

DE MELO BEZERRA, Jéssica Tayrine Gomes. IMPLICATURAS E A VIOLAÇÃO DAS MÁXIMAS CONVERSACIONAIS: UMA ANÁLISE DO HUMOR NA SÉRIE THE BIG BANG THEORY. REVISTA DE LETRAS-JUÇARA, v. 1, n. 2, p. 3-23, 2017. Disponivel em: https://uema.openjournalsolutions.com.br/portal/index.php/jucara/article/view/1430/1173. Acesso em: 26 out. 2021

MARTELLOTA, Mário Eduardo et. al.. Manual de Linguística. . Contexto. 2008

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