Análise das máximas conversacionais - Ivan Patriota

    Olá, pessoal, tudo bem com vocês? Já faz algum tempo que não temos novas discussões por aqui, e como dizem os especialistas: "There's no time like the present!". Em bom português: não há hora melhor para fazer (no caso retomar) alguma coisa do que agora. Dito isso, vamos abordar hoje um conteúdo bem específico dos estudos pragmáticos - aqueles que já vimos em postagens anteriores aqui no blog - as máximas conversacionais. Essas máximas provêm das observações e estudos de Herbert Paul Grice acerca do fenômeno da comunicação. Mais especificamente, da cooperação necessária entre os participantes em prol do sucesso na interação, ou seja, para que todos, falante e/ou ouvinte, estejam entendendo o que está sendo dito pelo outro. Essa cooperação entre as partes não apenas gera sucesso na comunicação, como também, a partir do cuidado e atenção para com as máximas e suas regras, contribui para o diálogo eficiente, racional e, claro, colaborativo. 

    Mas afinal, quais são essas máximas conversacionais? Bem, elas são 4 e, seguindo a diretriz do princípio da cooperação, são apresentadas da seguinte forma: máxima da quantidade (corresponde à contribuição ser tão informativa conforme a necessidade, nem mais nem menos informativa do que o necessário); máxima da qualidade (corresponde à veracidade daquilo que fala, logo o interlocutor deve buscar não falar o que acredita ser falso, tal como o que lhe falta evidências para provar); máxima da relação (corresponde à relevância naquilo que fala, que agrega aquela discussão); máxima de modo (corresponde à ser breve, conciso, evitando ambiguidades).

    Agora que já estamos mais situados no assunto, que tal aplicarmos num contexto que todos estamos bem acostumados? Estou falando das séries de TV, as comédias em particular. Isso porque as produções, popularmente conhecidas como comédias de situação (sitcom), por muitas vezes retratam o cotidiano das pessoas, por conseguinte, o texto dos personagens trazem muitas oportunidades de análise e é aí que encontramos a presença das máximas conversacionais, ou melhor, a quebra/violação das mesmas, pois, verdade seja dita, o humor faz uso dessas infrações o tempo inteiro, inclusive utilizando figuras de linguagem que transpõe algum significado implícito, fazendo esse jogo entre o que foi dito, o sentido literal que aquilo representa, as informações implícitas e intencionalidades inseridos nesse contexto, e o que foi entendido.

     A comédia em questão chama-se "B Positive", e trata-se de uma série que gira em torno de um pai recém-divorciado que precisa de um transplante de rim e encontra uma amiga do passado que concorda em ser a doadora. 


    O recorte da sequência das cenas acima foi retirado do episódio nº 3 da segunda temporada da série. Nele, os protagonistas Drew e Gina entram em uma discussão pois Gina, que tinha acabado de herdar uma herança, comprou a casa de repouso onde trabalha e logo encontra dificuldades no que diz respeito à administração do lugar, assim como atender as demandas dos residentes. Ela liga pra Drew para desabafar e ele logo pergunta "Bem, você pode devolver o lugar?" e ela responde com outra pergunta "Sério? Eu te digo que as pessoas estão morrendo e você faz piadas?", então ele responde "Não posso evitar. A morte me dá calafrios."

    Esse diálogo caracteriza uma violação das máximas de quantidade, relação e modo na medida em que, no primeiro momento, Gina não responde à pergunta de Drew (quantidade, relevância), assim como ele próprio não responde a colocação dela em seguida, e ainda trata de responder não apenas em excesso (modo), mas trazendo à tona informações irrelevantes para a conversa, que por si só diz bastante sobre o tom da série - e das comédias situacionais - de forma geral quando analisado de maneira fria e objetiva. Não houve nessa interação específica respostas claras e relevantes com a carga necessária de informação, causando essas violações supracitadas. 

    É isso por hoje, pessoas maravilhosas. Até uma próxima! 😃😉

REFERÊNCIAS

Bagels, Billiards and a Magic Show. In: B Positive. Criação de Marco Pennette. Produção: Warner Bros. Television. Estados Unidos: CBS, 2021. 22 min. Temporada 02, episódio 03. Acesso em: 29 out. 2021

DE MELO BEZERRA, Jéssica Tayrine Gomes. IMPLICATURAS E A VIOLAÇÃO DAS MÁXIMAS CONVERSACIONAIS: UMA ANÁLISE DO HUMOR NA SÉRIE THE BIG BANG THEORY. REVISTA DE LETRAS-JUÇARA, v. 1, n. 2, p. 3-23, 2017. Disponivel em: <https://uema.openjournalsolutions.com.br/portal/index.php/jucara/article/view/1430/1173>. Acesso em: 29 out. 2021

SURAYA, Najih. THE NON – OBSERVANCE OF GRICEAN MAXIMS IN THE MOVIE SERIES SHERLOCK HOLMES.  202 LEXICON. vol. l, num. 2, April 2012. pag. 202 - 211. Disponível em: <https://jurnal.ugm.ac.id/lexicon/article/view/42078/23291>. Acesso em: 29 out. 2021

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